Blog dos Poetas

Via -Láctea – XXXIV

de

Quando adivinha que vou vê-la, e à escada
Ouve-me a voz e o meu andar conhece,
Fica pálida, assusta-se, estremece,
E não sei por que foge envergonhada.

Volta depois.  À porta, alvoroçada,
Sorrindo, em fogo as faces, aparece:
E talvez entendendo a muda prece
De meus olhos, adianta-se apressada.

Corre, delira, multiplica os passos;
E o chão, sob os seus passos murmurando,
Segue-a de um hino, de rumor de festa…

E ah! que desejo de a tomar nos braços,
O movimento rápido sustando
Das duas asas que a paixão lhe empresta

(in Poesias, Olavo Bilac, Via -Láctea)

postado por em 20-09-2008
Compartilhar

3 Comentários para “Via -Láctea – XXXIV”


  1. Socorro disse:

    O amor na sua essencia,
    Na sua pureza,
    na sua inocencia.
    Amor eterno.

    Linda poesia.


  2. Michelle Castro disse:

    Que coisa magânima!
    Linda poesia!…

    O amor dá a nos a qualidade de seres divinos… O que no torna eterno no depois do que se ainda diz para sempre.

    Um bjão


  3. helena maria sandoval de miranda disse:

    Romântico, suave, sútil,muito bom pensar nas emoções subjacentes a esse sentir expresso de forma tão linda e perceptível.

Deixe Seu Comentário