Blog dos Poetas

Suspensas Fugas

de

Para pensar em ti todas as horas fogem:
o tempo humano expira em lágrima e cegueira.
Tudo são praias onde o mar afoga o amor.

Quero a insônia, a vigília, uma clarividência
deste instante que habito – ai, meu domínio triste!,
ilha onde eu mesma nada sei fazer por mim.

Vejo a flor; vejo no ar a mensagem das nuvens
– e na minha memória és imortalidade –
vejo as datas, escuto o próprio coração.

E depois o silêncio. E teus olhos abertos
nos meus fechados. E esta ausência em minha boca:
pois bem sei que falar é o mesmo que morrer:

Da vida à Vida, suspensas fugas.

(De: ‘Solombra”, 1963.)

postado por em 18-09-2008
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4 Comentários para “Suspensas Fugas”


  1. messias disse:

    Cecília é incomparável! ótima como sempre1


  2. Lya disse:

    Lindo!!!

    Este poema é como espelho… me reflete!!


  3. Tais disse:

    otimo.. destaca a dor da alma, com um toque de despudor!!!


  4. Maryna disse:

    Como sempre
    E escrito com paixão
    Com amor
    Inteligentissima
    Lindo é seus poeminhas
    Incoparavavel seus poemas
    Amiga

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