Blog dos Poetas

9.

de

Entrar na Academia já entrei
mas ninguém me explica por que que essa torneira
aberta
neste silêncio de noite
parece poesia jorrando…
Sou bugre mesmo
me explica mesmo
me ensina modos de gente
me ensina a acompanhar um enterro de cabeça baixa
me explica por que que um olhar de piedade
cravado na condição humana
não brilha mais que anúncio luminoso?
Qual, sou bugre mesmo
só sei pensar na hora ruim
na hora do azar que espanta até a ave da saudade
Sou bugre mesmo
me explica mesmo:
se eu não sei parar o sangue, que que adianta
não ser imbecil ou borboleta?
Me explica porque penso naqueles moleques
como nos peixes
que deixava escapar do anzol
com o queixo arrebentado?
Qual, antes melhor fechar essa torneira, bugre velho…

postado por em 06-02-2011
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5 Comentários para “9.”


  1. EDILOY A C FERRARO disse:

    Uma descoberta, atravessando qualquer compasso, se é que se preocupa com isso, nos arrasta neste azedume criativo e tedioso…estupendo !!!


  2. Cacau Braga disse:

    Muito bonito!Poesia é sempre um alívio para alma!


  3. Rafael P. disse:

    Adorei seu poema, pois me descreve muito bem, com palavras complicadas e diretas.
    Abraço manow.


  4. BENEDITOCGLIMA disse:

    parabéns pelo espaço e pelo poema do grande manoel de barros


  5. bruna disse:

    nossa, gostei muito dessa, chamou minha atenção pq critica mto a sensibilidade humana… gostei muito.

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