Blog dos Poetas

Museu

de

Espadas frias, nítidas espadas,
duras viseiras já sem perspectiva,
cetro sem mãos, coroa já não viva
de cabeças em sangue naufragadas;

anéis de demorada narrativa,
leques sem falas, trompas sem caçadas,
pêndulos de horas não mais escutadas,
espelhos de memória fugitiva;

ouro e prata, turquesas e granadas,
que é da presença passageira e esquiva
das heranças dos poetas, malogradas:

a estrela, o passarinho, a sensitiva,
a água que nunca volta, as bem-amadas,
a saudade de Deus, vaga e inativa…?

postado por em 13-02-2011
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