Blog dos Poetas

Evolução

de

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
Tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo…

Hoje sou homem – e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

postado por em 02-12-2012
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4 Comentários para “Evolução”


  1. EDILOY A C FERRARO disse:

    A teoria da evolução de que partimos dos reinos mineral, vegetal até o hominal, em versos encantadores que o poeta tece com sensibilidade e talento neste soneto…


  2. CAE disse:

    LINDO //twitter.com/CLEMENCENUMAN


  3. Vicente Ferreira da Silva disse:

    Liberdade!
    O primeiro de todos os sonhos do homem.
    Condição para a condição humana.

    Quental sabia-o muito bem.
    Excelente escolha!


  4. Ezequiel Francisco disse:

    Antero de Quental é, facto, o princepe dos sonetos!
    Chegou tarde e partiu cedo desta vida descontente! Teoria da evolução? Quem diria…

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