A Tentação
de Murilo MendesDiante do crucifixo
Eu paro pálido tremendo…
postado por Ederson Peka em 25-12-2011
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Diante do crucifixo
Eu paro pálido tremendo…
Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.
Fatigados caminhos refazemos
Da outrora máquina da mineração.
É nossa própria forma, o frio molde
Que maduros tentamos atingir…
Montes contempladores, circunscritos
Entre cinza e castanho, o olhar domado
Recolhe vosso espectro permanente.
Ouço balidos pelo mundo inteiro:
Matam o cordeiro branco redentor.
Templo de experiência e expiação,
O incenso da matéria se respira
Nas tuas arcadas nuas e rochosas.
Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.