Em o horror desta muda soledade,
Onde voando os ares a porfia,
Apenas solta a luz a aurora fria,
Quando a prende da noite a escuridade.
Ah, cruel apreensão de uma saudade!
De uma falsa esperança fantasia,
Que faz que de um momento passe a um dia,
E que de um dia passe à eternidade!
São da dor os espaços sem medida,
E a medida das horas tão pequena,
Que não sei como a dor é tão crescida.
Mas é troca cruel, que o fado ordena;
Porque a pena me cresça para a vida,
Quando a vida me falta para a pena.
postado por Ederson Peka em 18-09-2011
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EDILOY A C FERRARO disse:
Belíssimo e pungente soneto do mestre das hipérboles, do demasiado, jorram lágrimas em letras, reflexões em dores…
Ildérica disse:
Parabéns pelo belo poema.