Blog dos Poetas

Sou um guardador de rebanhos

de

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

postado por em 02-02-2007
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8 Comentários para “Sou um guardador de rebanhos”


  1. Thyago Bezerra e silva disse:

    quando é escrito uma verdade como essa deve nascer um sonho em beleza


  2. ALAIR MODESTO disse:

    Também fico feliz quando meus sentidos traduzem a verdade! Sinto o conforto de deitar na realidade… E aí eu sou.


  3. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …ainda agora li o outro heterônimo de Fernando Pessoa, o Álvaro de Campos, que me passou emoções de enfado diante a um alva folha sem inspiração, e, agora, delicio-me com a alegria de Alberto Caieiro, impregnado de vivo otimismo, lirismo e belezas diante à vida… genial seu criador, o Fernando, pois, dividindo-se em vários, compõe-se em um único.


  4. IALMAR PIO SCHNEIDER disse:

    ÚLTIMO ADEUS

    I II III
    A chuva parece O vento parece Adeus minha ingrata
    O pranto de Deus O sopro de Deus Quando a chuva cair
    Quando cai escurece Quando sopra esquece Dando serenata
    As bordas dos céus. Que leva um adeus. Ao amargo porvir,
    IV V VI
    Te lembres daquele Agora meu amor Ingrata mulher
    Que muito te amou Por ti já morreu Por que o amor mataste
    E tu o deste àquele Pois a minha dor Como a um ser qualquer
    Que pra longe a levou. São os risos teus. Que nunca tu amaste?

    VII
    Um dia tua existência
    Também se termina
    E daí tua ciência
    E daí qual tua sina.

    Ver IALMAR PIO no Google


  5. EDILOY A C FERRARO disse:

    …volto à leitura deste texto, como quem se questiona: como pode alguém abstrair-se, apofundando em si mesmo, colhendo observações – lunáticas na visão dos apressados – e trazer-nos reflexões num aparente singelo devaneio descompromissado ? Nao fora os poetas, tanta beleza teriam passadas ob as retinas desatentas, desfiguradas as telas encantadas que fazem a vida mais intensa..


  6. Yara disse:

    como pode nos dar a definição da vida, sem defini-la, e fazer nos viver em suas palavras?


  7. Maria AparecidaBecker sander disse:

    Alegria

    Se eu pudesse ser alegre
    Uma alegria mulata
    Pernas torneadas,ofegantes
    Quadris dançantes
    Coração disparando.
    Quando?
    No tempo em qu serei verão.


  8. TÂNIA GAMA disse:

    Alberto Caeiro, mostra a forma de pensar com os sentidos, existindo, representando a vida, apenas com o que percebemos por meio dos nossos sentidos, e isso é incrível no nebuloso e
    fantástico mundo da literatura.
    Parabéns, pela grandeza de ter postado
    esse interessante poeta europeu!

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