Blog dos Poetas

Oceano Nox

de

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voô dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das cousas, vagamente…

-Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais…

postado por em 30-01-2007
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3 Comentários para “Oceano Nox”


  1. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …a natureza humana, bela e sensível, eternamente reflexiva diante à vida. Antero, em versos singelos nos conduz ao seu momento, como se fosse hoje, agora, que belo o sentir que desconhece épocas, eterno…


  2. sometimes disse:

    alguém explique a estes peseudo comentadores de poesia quem é (foi) Florbela Espanca…
    morreu em 1930 com 36 anos e é só uma das maiores poetisas de sempre…


  3. Elizabeth disse:

    Belo e triste esse poema. Ainda que em tom de revolta velada o poeta deseja, inquietante, compreender tudo, e tudo é inimaginável em sua grandeza.

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