Blog dos Poetas

O Silêncio e os Barcos

de

As águas pela noite estão caladas
e mais barcos vão chegando à mesma foz.

As águas pela noite estão serenas
e os barcos que regressam adormecem.

Ficámos com as mãos mais apertadas
dois apenas sufocando um grande medo.

Ficámos com os olhos mais parados
que as quilhas destes barcos de segredo.

A noite aglutinou lençóis de espuma
e as areias cobriram-se de redes.

Os barcos nesta noite não arquejam,
são mudos na verdade do silêncio.

Fonte: Poesia dos Dias Úteis

postado por em 29-11-2008
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3 Comentários para “O Silêncio e os Barcos”


  1. lena casas novas disse:

    é PARA TODOS OS POETAS MESMO? QUE BOM!


  2. Lígia disse:

    In the bottle

    Num mar alcoólico
    Flutua a minha embarcação
    Indecisa entre a repentina imersão
    E o definhar melancólico.

    Por vezes, ainda me ponho a sonhar
    Com um feito quase impossível
    E vejo-me com um ar incrível
    Do meu cativeiro a zarpar.

    Mas logo regresso à realidade como vencida
    E deixo de acreditar
    Que haja para mim outro qualquer lugar

    Para além desta clausura de bebida.
    Enfim, tenho a proa cansada de procurar
    Onde raio larguei o leme da vida.


  3. Candido R. Rios disse:

    Uma maravilha o poema e o blog. Parabéns.

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