Blog dos Poetas

A Cruz da Estrada

de

Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pousar.

É de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.

Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.

Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.

Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.

Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.

postado por em 04-12-2008
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14 Comentários para “A Cruz da Estrada”


  1. laryssa disse:

    olá estive vendo um pouco do seu blog e espero que vc tambem olhe o meu o link dele é http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2221799873446671752


  2. HermesBitencourt disse:

    Só quem vive ou já viveu no sertão, sabe o quanto é lindo, triste e ao mesmo tempo tétrico esse poema.


  3. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …que ideal magistral em vida defendestes, jovem e valoroso Castro Alves, insurgindo-te contra os costumes escravocratas de tua época, vendo nos negros irmãos teus… utilizando tuas armas, as palavras, deblateras-tes contra as torpezas e se imortalizou com tua lavra belíssima e culta, recheada de amor pela justiça…


  4. andrey disse:

    eu nao intendo nada disso queria intender….


  5. claudete btista barbosa disse:

    este poema marcou minha vida a uns 20anos atras ele e lindoooo


  6. vinicios disse:

    eu declamei esse poema foi muito legal


  7. ana caroline disse:

    eu amo de coração a poesia, esse poema é lindo eu estou fazendo um trabalho sobre a terceira geração romântica e vou declamar esse poema; para mim será uma honra………………………


  8. Wesllen disse:

    Pessoal espere que gostem desse poema de minha autoria, mas não se esqueçam de comentar por favor. Desde já eu agradeço a atenção de todos.

    O outro

    Quem é você ?
    De onde vem
    e para onde vai ?

    Por que vejo você
    quando quero me ver ?
    Por quê ?

    Nos meus devaneios tentando me conhecer.
    Quem eu vejo: Você.
    Por quê ?

    Não me conheço,
    não me vejo,
    não existo,
    só o outro.


  9. Rita disse:

    este poema me reportou aos m tempos de escola. Idos de 1958,por aí. Já estudei esta poesia, pois antigamente, usava-se decorar poesias p um momento de “declamação”. Bons tempos aqueles…


  10. jose francisco silva disse:

    amei conheser este blog aqui esntra-se coisas lidas como peisias antigas importante
    e indispensaveis *parabens pelo otimo trabalho*um abraço*jose farncisco


  11. suzana disse:

    esse poema me faz lembrar de Rio Das Ostras quando eu tive que fazer uma decisão e não é só esse poema como as outras coisas,mas eu não posso volta atrás.


  12. Edson A. Fonseca disse:

    Esta poesia me toca fundo no coração; me lembra o meu tempo de estudante, em Diamantina -MG, lá pelos saudosos anos da década 50. Quanta saudade.


  13. MARIA MADALENA disse:

    esta poesía me faz lembrar no tempo em que estudar literatura era um prazer grandes poetas e poetisas que saudades das


  14. MARIA MADALENA disse:

    concordo com o edson so que minhas saudades vem do interior do triangulo mineiro Patrimonio Rio do Peixe

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