Blog dos Poetas

Manias

de

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, – hoje uma ossada, –
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

postado por em 21-11-2010
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2 Comentários para “Manias”


  1. Mario Vigna disse:

    Hipocrisia (Soneto “negro”…)

    Gargalha a morte ao tempo e no espaço.

    Ondas devastam edificações,

    travam nos peitos e nos corações,

    dissecam pessoas, rompem-se laços…

    Vagam nas lembranças: – tristes canções,

    restos de um velho país aos pedaços:

    – cataclismo, sangue, dor, estilhaços,

    (sobreviventes gemem nos porões!)

    Nos “fortes”, tolice, Leis esquecidas,

    “roncam nas eiras os bravos tufões!”

    (À sombra do medo, parafasia…)

    Pequenos morrem nas vagas perdidas;

    Luz atômica: – Loucas podridões:

    – Por isso o mundo acabará um dia!…

    …………………………………………………………………………

    MÁRIO VIGNA

    21/Junho/1997 – 10h20


  2. EDILOY A C FERRARO disse:

    …este poeta, brincando em ironias, traz-nos o fel das realidades, panorama cético da existência em sinuosos bem urdidos e belos versos…

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