Não enterres, coveiro, o meu Passado,
Tem pena dessas cinzas que ficaram;
Eu vivo dessas crenças que passaram,
E quero sempre tê-las ao meu lado!
Não, não quero o meu sonho sepultado
No cemitério da Desilusão,
Que não se enterra assim sem compaixão
Os escombros benditos de um Passado!
Ai! não me arranques d’alma este conforto!
- Quero abraçar o meu passado morto
- Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!
Deixa ao menos que eu suba à Eternidade
Velado pelo círio da Saudade,
Ao dobre funeral dos tempos idos!
postado por Ederson Peka em 22-05-2011
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EDILOY A C FERRARO disse:
Este poeta tem o dom de instigar, levando-nos a refletir, morto fisicamente mas genuinamente vivo em sua obra, perturbadora e intensa, sobrevivendo aos tempos…um homem sem passado é um desmemoriado, sem eixo e história que o compõe em seu sentido.
menino sonhador disse:
eu particularmente amo augusto dos anjo ele foi e sempre será o cara…
Antonio de Azevedo Silva disse:
Tempos Idos, para mim o mais lindo dos poemas de Augusto dos Anjos.
Rubem Dutra disse:
A alma do poeta e como uma poltrona que ninguém se asenta, olha e respeita porque ali deleita as expirações, aguando para se vestir.