A noite vem pousando devagar
Sobre a terra, que inunda de amargura…
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura…
Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura…
E eu ouço a noite imensa soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!
Porque és assim tão ‘scura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!
Saudade que eu nem sei donde me vem…
Talvez de ti, ó noite!… Ou de ninguém!…
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!
(in Florbela Espanca, A Mensageira das Violetas, Antologia)
postado por Célia de Lima em 27-09-2008
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soraia disse:
Linda poesia sou fã da Florbela Espanca, vc tem muito bom gosto ao postar uma das poesias delas…
soraia
ciganita
jadson c. silva santos disse:
gostei muito do seo poema !!
Gabriel disse:
Mensageira das violetas
Tu fostes a mensageira das violetas
De todas as flores a mais bela
Teus sonetos têm sons de clarinetas
Em teu rosto o sorriso de uma donzela
Não sei mais a quem perguntar
Se paro com este sonho
Ou continuo a sonhar
Talvez o amor seja cruel com quem ama
Talvez o amor não se faça esperar
Pois quem ama sofre e luta
Pelo simples privilégio
De poder amar.
Sandro Kretus
O navegante e a flor lunar
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1248267
Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:
…a poetisa se vale de uma descrição da noite, que na verdade é a sua solidão, na amargura que descerra numa narrativa pungente e sofrida, entremeada por dúvidas e reflexões lindíssimas…