Há colcha mais dura
que a lousa
da sepultura?
Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.
Com que habilidade
Você estraga
Qualquer felicidade!
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos.
O desenvolvimento cerebral
Nunca se compara
Ao abdominal.
Não é segredo.
Somos feitos de pó, vaidade,
E muito medo.
No falecimento
Lenço grande demais
Pro sentimento.
Eremita, me afundo
No deserto, pra ser
O centro do mundo.
Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.
Aniversário é uma festa
Pra te lembrar
Do que resta.
Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.
postado por Ederson Peka em 04-04-2007
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Américo disse:
A mais pura verdade, gostei muito dessa
“Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos.”
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Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:
…felicito a escolha destes haikais de Milôr, que maneja as palavras com maestria, tirando da concisão das mesmas extensas reflexões, além de espirituosas, grande talento o desse pensador, que nos surpreende há anos…
O cujo disse:
Muito bom!
Numa Rocca disse:
Esse Millor é simplesmente demais: direto, irônico, sarcástico. Um dos meus autores preferidos. Os terceiro e quinto Hai kais são demais.