Blog dos Poetas

Retrospecto

de

Vinte e seis anos, trinta amores: trinta
vezes a alma de sonhos fatigada.
e, ao fim de tudo, como ao fim de cada
amor, a alma de amor sempre faminta!

Ó mocidade que foges! brada
aos meus ouvidos teu futuro, e pinta
aos meus olhos mortais, com toda a tinta,
os remorsos da vida dissipada!

Derramo os olhos por mim mesmo… E, nesta
muda consulta ao coração cansado,
que é que vejo? que sinto? que me resta?

Nada: ao fim do caminho percorrido,
o ódio de trinta vezes ter jurado
e o horror de trinta vezes ter mentido!

postado por em 10-08-2007
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1 Comentário para “Retrospecto”


  1. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …O poeta nos arrasta para suas cogitações atualíssimas e perenes da condição humana: a noção de tempo desperdiçado, da vida escorrendo por entre os dedos, suas inquietações são perpétuas porque retratam angústias e questionamentos de todas as épocas, a eterna dúvida existencial que cada qual carrega no seu íntimo, bem próprio da natureza humana – dúvidas e receios.

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