Blog dos Poetas

Metal Contra as Nuvens

de

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se defaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói.
Estes são dias desleais.

Sou metal – raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá.

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei.

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
Há quem se alimente do que é roubo.

Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão.

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez o que destrói.

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
E sei que devo resitir-
Eu quero a espada em minhas mãos.

Sou metal – raio, relâmpago e trovão.
Sou metal: eu sou o ouro em seu brasão.
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar –
Tenho ainda coração.
Não aprendi a me render:
Que caia o inimigo então.

– Tudo passa, tudo passará.

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás –
Apenas começamos.

O mundo começa agora –
Apenas começamos.

postado por em 16-05-2003
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22 Comentários para “Metal Contra as Nuvens”


  1. debora disse:

    Perfeito,
    uma das coisas mais bonitas que já li.


  2. Pedro Torres disse:

    “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão /cada um de nós imerso em sua própria arrogência e esperando por um pouco de afeição…”

    Renato sempre foi muito legal em acertar o que dizer para uma qualquer hora de qualquer pessoa, um poeta.

    Sei lá, tenho alguns poemas e admiro pacas esse blog e vejo aqui tanto poeta vivo que me intimido e fico triste…

    Parece que só se compreende um poema de um artista, quando se lê todos os seus poemas ou se você os vive completamente, bem, eu não sei.

    não se paga um poema, se devolve um abraço. agora, pra renato:

    Feliz páscoa amor meu

    Porque pensas maltratar meu coração com teu desprezo
    E esperas de mim as respostas quão vento já não te leva mais
    Sou eu culpado das tuas amarguras agora
    Pela franca rebeldia dos teus falsos amigos
    Que de ti querem apenas livra-se dos Percalços
    Que a vida lhes havia reservado e que facilmente sobre ti recaem
    Ah! Criancinha de sangue envenenado…
    És esperança, nascimento e formosura
    A aurora da minha mais linda desventura
    Porque que me foi dado expulsar
    Do teu sangue tudo que lhe é exótico e áspero,
    Eu determino!

    Andais aí cercada pelos mais sinceros laços
    De amor fraterno que conquistas?
    Um a um entregando-se completamente aos olhares?
    Afaste-se querido satanás que tomo trago sozinho rapaz
    Vem seduz e me conquista mulher pura e toma luz
    Neste palco da vida que pelego sejais também artista
    Como o carvalho levando sopro de todo lado e pancada de ventania
    Entorta enverga e nasce torto e assim morre
    E não paga uma conta a quem não deve!
    Rasga a mortalha da morte e lhe cospe à cara
    Que a vida lhe mandou um recado bem cedo
    Eu vi a cara da grande prostituta e ela estava morta
    E eu como sempre poeta das dores alheias que as minhas são dóceis
    Finjo que não se tratar de choro
    Porque está meu amor à mostrar uma cara para tantos
    E para si uma não própria
    Sabendo que ali bem ao alcance de suas próprias mãos está o telefone?
    Eu determino pelo sangue de tudo que for mais sagrado:

    Não se rasga a mesma pura seda duas vezes
    Diante do teu Deus nem do diabo
    Nem se veste o linho mais nobre
    Em dias de festa, nem em jejum

    Um raro poeta triste

    Pedro Torres

    Pedro Torres


  3. Pedro Torres disse:

    fosse uma entrevista dele ele diria depois de ler…

    Falei que ao vivo é uma m…

    Repeti meu nome…

    e falei um maldito singular…

    perdoe-me.

    (respostas quão vento já não te leva mais
    Sou eu culpado das tuas amarguras agora)

    É: levam


  4. Pedro Torres disse:

    ou tanto faz
    boa noite


  5. Pedro Torres disse:

    apenas livra-se dos

    livrar-se

    ah!


  6. samantha disse:

    O Poeta ainda está vivo!!!Sempre…


  7. regina rousseau disse:

    CARTA ABERTA PARA RENATO RUSSO

    Ontem, voltando do enterro do meu tio-avô, parei diante de uma pedra mortuária e, sentada com a chuva, choramos juntas. Conheço de cor essa dor. Uma dor aguda, fina.
    Sentimentos de perda e perplexidade voltaram novamente à minha vida, que agora estão catapultados, soltos no ar.
    Mesmo passados doze sóis, as flores da saudade, ainda invadem o país, o estado, a cidade, o quarto, e numa rotina escrita a mão, desenho o balanço da cidade para você:
    de dia falta água, à noite falta luz. Bendita seja cada dia nossa cruz!
    Ninguém sabe o que está acontecendo. Tão pouco, fica difícil prever o que vem por aí.
    O furor e a indignação do nosso Pai chegou ao limite, no entanto, poucos percebem e resistem aos furacões, aos terremotos, às inundações, às corrupções.
    Mas pela luneta de Galileu, nosso povo tem tentado, até eu.
    Quem sabe o destino? Quem o ignora? Como de costume, como de outrora, o perigo vinha muitas vezes, na forma do desconhecido, do inesperado; hoje, dormimos com o inimigo ao nosso lado. Por quê? Não sei.
    A nossa espécie se extingue. Cultivam uma cultura de guerra em nossos meninos que brincam com brinquedos que matam, como o exterminador do futuro.
    O nó da guerra do Iraque ainda engasgado pelo orgulho da força, da hegemonia, da prepotência. Varreram a Rússia, os Tigres Asiáticos perderam e recuperaram os dentes.
    Derrubaram outro presidente dissidente. E o insano Chaves governa nosso vizinho.
    No congresso, no senado, baixaram outro decreto. Há C.P.I.S. para todos os lados.
    No jornal, na rádio, na televisão, desintegraram o átomo, mas falta ainda o preconceito.
    A época está para teorias confusas que se lançam sem o ritmo de suas músicas.
    E antes que o sinal feche e mate todos os sabiás, nosso país ainda têm palmeiras, ainda são as mesmas, as cores da nossa Bandeira. Mas não sei onde foram parar os jequitibás nem onde estão os heróis de alma comedida. Colocaram em jogo suas vidas, e muitos as perderam numa emboscada.
    Procura-se parlamentar legal, ético e moral em pleno tiroteio do choque cambial.
    Procura-se por um país do futuro que nunca chega porque as fronteiras mudam sempre de lugar.
    No mais, o delírio do consumismo, os gráficos de ações, o sobe-e-desce, o mercado futuro.
    MAS É PRIMAVERA! E nas ruas, há cheiro de pólen no ar.
    Contador de histórias, trovador do amor, nova geração escuta seus versos melancólicos e rebeldes pelas coisas que não se consegue mudar. E muitos ainda se perguntam: De onde nascia tanta poesia para continuarem nessa trilha? De onde retirava o néctar tão precioso e sofrido que alimenta legiões por duas décadas, de esperança por um mundo melhor, mais poético e pacífico?
    Somente grandes líderes mudaram muita coisa no mundo pelas palavras, e estes não passam jamais. Com toda calma com toda glória, entram para a história.
    Seu grau de idealismo, sua honestidade pessoal, a coerência de seus propósitos não foi tempo perdido. Sobrevivem até hoje com evidência e brilho. Soam e ecoam a cada nova estação. As idéias de um gênio criador, de um poeta supremo é a alma da música do nosso tempo. Um som que antes não se ouvia, numa leveza de espírito, numa fusão sem igual da música e da poesia.
    No meu calendário, você foi à um passeio cósmico conduzido pela palma do divino, morar na paz com o sol que nunca se põe.
    Mas te vislumbro sempre através das estrelas que reluzem sobre o frágil teto da minha cabana, nas russas montanhas, entre a Serra do Mar e da Mantiqueira.

    Regina Rousseau


  8. antonio carlos messias disse:

    Senhora RR ;
    No seu nome está a simbiose de naturalismo X racionalismo que produziu êste seu texto magnífico, digno dos nossos mais celebrados poetas/filósofistas/existencialistas. REGINA, que vem do latim, rainha, majestade, como magestoso é seu texto. E ROUSSEAU, do grande pensador francês que esquadrinhou os meandros do racionalismo.
    Na briga pela subsistência do dia-a-dia nunca mais vi um por-de-sol, nem uma chuva abraçado a uma lápide, nem um sol tropical a tostar minha pele.
    Hoje, tive a grata felicidade de abraçar você, através seu texto.
    Te nomeei minha lua particular, nesta tarde de domingo. Não importa que não possa te ver ou tocar. Mas saiba que suas palavras atravessaram as ondas hertzianas, atropelaram os cumputadores, ultrapassaram a internet, rodopiaram no meu cérebro e, com a flecha dourada do mel e do amor, se alojaram no meu coração. Ouvi sua voz, suas palavras falam e calam fundo, e percebi seu olhar ao infinito. És fada…vives do silêncio !


  9. antonio carlos messias disse:

    Senhora Regina Rousseau :
    Tenho e desplante de sugerir que leia um texto de ALBERT CAMUS, O MÍTO DE SÍSIFO.
    É dantesco !
    [email protected]
    Saudações metafísicas.
    Antonio Carlos Messias


  10. regina rousseau disse:

    Shalom Antonio Carlos,
    Li seu comentário referente ao meu texto sobre Renato Russo, e agradeço pelo adjetivo majestoso.
    Sou escritora Regina Rousseau(em homenagem ao grande pensador francês que esquadrinhou os meandros do racionalismo).
    E creia também me senti abraçada por você em suas carinhosas e belas palavras. Você me inspirou a tecer uma poesia, e assim, que estiver saída do forno, te envio e com os devidos créditos, porque sei que também deve ser escritor. Vamos assinar à quatro mãos?
    Gosto muito de Albert Camus, realmente é dantesco.
    Abraços e força sempre


  11. regina rousseau disse:

    SOLIDÃO CÓSMICA

    Caríssimo amigo,
    Por aqui, a vida segue seu curso normal. Nada mais natural.
    A Terra continua na sua carreira desabalada, cada vez mais acelerada, rumo ao novo milênio, cativando os terrestres com seu paraíso de vaidade, luxo, oco prazer e os germes da hipocrisia (hoje em dia bem aceita).
    O mal do século continua a solidão acompanhada pela ambição e pelo preconceito, isto não tem mesmo jeito.
    No Brasil, tentam novamente criar um clima de alto astral, tipo “Pra frente Brasil”, como nos dias de ditadura, te lembras?
    A essência permanece a mesma, só muda a aparência.
    O povo, como sempre aproveita a alegria fugaz, aquela epidemia ofegante do carnaval;
    a vitória por meio da Copa que virá para não se pensar nos problemas que virão.
    No geral, o quadro continua corriqueiro: um verão de blecautes, chuvas de granizo enchentes de escândalos, terremotos, tsunamis, e querem atribuir tudo ao El Nino.
    A dengue aumentou, estou dengosa; há casos de febre amarela, mas o câncer da alma diminuiu.
    O descalabro da educação para conseguir bolsas nas escolas públicas; o desemprego constante (eu e nossos amigos continuamos a procurar emprego); a cara de pau dos congressistas com mais uma convocação para sessões extraordinárias, ainda mais em ano eleitoral. Há sujeira e CPIS pra todo o lado, normal.
    Como vê, “a coisa continua coisando por aqui.” Nada mudou, mudam as estações; mas os dias são todos iguais, um tédio com um T bem grande.
    Poucos percebem o outono chegar, e aqui, na minha rua, há pólen no ar…
    Porém, sempre desvio meu olhar desse itinerário contemplativo para o ponteiro do relógio, que continua atrasado. Mas ainda é cedo!
    E para evitar o risco de cair no surto da apatia e da melancolia (você bem sabe dessa minha fraqueza), recomecei a terapia de caminhar de bicicleta todos os dias para espantar a tristeza, para que não seque e mirre o coração nem encolha a alma (já não tenho 1.60cm). Mas tudo bem! Por enquanto, deixe pelo menos, uma janela aberta para que eu possa, de vez em quando, te ver, amigo querido.
    Jamais ouvi dizer, que algum amigo tivesse esquecido o lugar onde enterrou seu tesouro, porque existem amigos, que são únicos, mas que irmãos.

    “O AMIGO AMA EM TODO O TEMPO E, NA ADVERSIDADE, ELE SE TORNA UM IRMÃO.” Provérbio 17, 17

    Regina Rousseau


  12. LUCIANO MAIA disse:

    Sou fã deste blog maravilhoso aqui e hoje escrevi um artigo inspirado na poesia de Renato Russo…

    Quero compartilhar meu texto com vocês. Está publicado na data de hoje no http://www.cafecomdeus.com.br

    Luciano


  13. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    cara Regi
    leia o email que te enviei….não teve forno, foi parto da hora ! rs
    lembre que sou seu irmão.
    abraço, Tom ( antonio carlos )
    26/set/011, 8:13 hs


  14. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    A serra da mantiqueira se calou, num silencio preocupante, todos os bichos estão silentes. Algo de sério aconteceu ?
    algum tsunami na mata atlantica ?
    Do alto das agulhas negras pairam as cidades e as pessoas, mas a fada preferida ainda reina nas nuvens, montada no alado Pégasus, ou simplesmente na sua bicicla…
    protegida pelas fagulhas de aço do Russo, ela desfila pelo espaço, qual cometa andando devagar.
    AH ! mas a Sílfide maior não desaparece assim tão fácil.
    Ainda que ela fique invisível aos humanos olhos míopes
    sempre será enxergada pelos que vêem com o coração.
    Os olhos, coitados ! são órgaos do passado…vemos o infinito com a alma.
    As paralelas do Einstein se encontram no infinito sim, é bastante atentar ao coração e não à visão.
    Não importa que a estrela que mais amamos não possa ser alcançada pelas nossas mãos pecadoras !
    Importa que estejamos fusionados com a alma de quem amamos
    e nao precisa que o mundo perceba, êste mundo não é nosso, o nosso nao tem crimes nem pecados e nem mortes.
    O nosso tem sorrisos, luzes , bondades…
    Numa noite de luar, REGINA, quando estiveres na tua bicicla, quando um vento leve soprar teus cabelos, tua cabecinha de menina…
    escute que recado êle te traz, vindo do mar de Ilhéus, e que diz :
    você é amor, vida e força !
    alegria vinda de Deus, fagulha do Mestre Maior, és eleita por Êle !
    E o velho Tom te envia, junto com o recado, o grande abraço fraterno, recomendado pelo Grande Homem – AMAIVOS UNS AOS OUTROS !
    Tenho certeza que em outras eras, galáxias, espaços siderais, fui teu servo e fôstes minha Princesa.
    Êste mundo aqui, não é nosso mundo !
    Estarei à sua espera, lá…
    onde não há fronteiras nem limites.
    Onde o Espaço é só nosso…
    E seja o que Deus nos permitir !!!


  15. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    Regi:
    A melancolia é uma deusa que chega junto de nós senta e nunca mais sai…..
    beijo fraterno
    Tom .


  16. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    desculpem faltou a vírgula depois de “senta”
    a melancolia é uma deusa que chega junto de nós, senta e nunca mais sai…
    Tom


  17. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    RR
    frase de um imperador da China antiga, AC….quando amamos nos sentimos fortes, mas é quando amamos que temos coragem….
    Tom


  18. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    Errei de novo :
    Yang Sen disse ha quase 2000 anos AC
    quando somos amados nos sentimos fortes, mas é quando amamos que sentimos coragem.
    Tom


  19. ANTONIO CARLOS MESSIAS disse:

    RR:
    Amiga, uso as tuas palavras para pedir, solicitar, reinvidicar :
    Lembra de Saint-Exupèry ? “tu te tornas eternamente responsavel a quem cativas ” , sei que lembras. És mais longe e mais alta do quanto imaginei…intuição minha talvez quando citei teu texto ser majestoso, na ocasião, só referente ao texto sobre o Russo, mas observei mais textos teus, e, sem ser um expert, mas o ser sensivel, colncluí que além de textos fortes, lindos, profundos….tu entras em tudo o que diz respeito à alma, aos humanos, aos costumes, e até às infâmias dos políticos….
    Apenas peço que me dê um sinal de vida


  20. antonio carlos messias disse:

    Senhores, Senhoras :
    Por favor me dêem notícias da Regina.
    Estou preocupado com sua ausência e silêncio.
    Por favor.
    Obrigado.
    Antonio Carlos.
    [email protected]


  21. regina rousseau disse:

    Caro Tom,
    Dificilmente entro aqui, por isso a razão do meu silêncio. Não imaginava que continuasse a me escrever aqui. Desculpe o monólogo, não foi por querer. Sempre responderei seus e-mails, são caros para mim. Abraços e força sempre
    Regina


  22. regina rousseau disse:

    Caro Tom,
    escrevo essas mal traçadas linhas, enviando um sinal de fumaça.
    Assim escreveria Renato Russo, rs

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