Blog dos Poetas

Quem vê, Senhora, claro e manifesto

de

Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder a vista só com vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e a alma por querê-los,
Donde já me não fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que quanto mais vos pago, mais vos devo.

postado por em 26-12-2005
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  • Patricia

    Necessito a interpretação deste soneto
    obrigada

  • Eleuza Rocha

    Preciso com urgência da interpretação deste poema muito obrigado pela atenção.

  • Cláudia

    Por favor postem a análise desse soneto, estamos precisando com urgência! Obrigada.

  • josé nilson de queiroz

    Camões, neste soneto, inicialmente se serve de uma figura de linguagem habitualmente usada em seus sonetos: a metonímia; pois quando o eu-lirico exalta a beleza dos olhos de sua musa, está indiretamente exaltando-a como um todo. E o poeta ao concluir o seu quarteto inicial, logo, adiverte que aquele que não se instigar de amor pois tais olhos;”perder a vista”, jamais há de alcansar a sabedoria da contemplatividade da beleza, “o que deve ao vosso gesto”. Assim, o eu-lírico já emanado dessa conciência e convícto de seu tributo, por sua vez se julgará capaz e merecedor “deles”. Haja visto que legou-lhe “a vida e a alma” ao ponto de nada mais restar-lhe ou ao menos o que fosse sublime em si para dar a essa senhora; expresso no oitavo verso, Donde já me não fica mais de resto”.
    Enquanto nos tercetos subsequentes o eu-lírico além de reforçar essa idéia, também revela o prazer de subjugar-se por ele, pois é exatamente no terceiro verso do primeiro terceto, tal como em sua chave de ouro, ( o derradeiro verso), onde o poeta irá expressar com ainda mais enfase e fervor as suas influências acadêmicas, que estão como sabemos diretamente ligadas ao ideal de amor do filósofo Grego Platão, do qual podemos dizer de maneira susinta, embora, vulgar que o amor platônico está vivo no mundo das idéias. Dessa forma Camões demostra-se fiel ao idealismo platônico, quando em seu ultimo terceto alega euforicamente “a bem-aventurança” de sua contemplação por meio de um paradoxo onde diz que o amor que o eu-lírico lhe devota sempre estará a baixo do que a sua amada mereçe: “que quanto mais vos pago,mais vos devo”.
    Para dissertar com um pouco mais de clareza podemos remeter-nos a um dos seus mais fabulosos versos que diz: “que se amor não se perde em vida ausente, menos se perderá por morte escura
    porque enfim a alma vive eternamente e amor é afeito da alma e sempre dura” ou seja, o amor na perpectiva camoniana jamais morrerá pois está enrraizado na alma que como ele também é eterna.