Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.
Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.
Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.
Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh Braga envelhecido, envilecido.
postado por Ederson Peka em 31-07-2006
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PETER disse:
NOSSA Q LEGALPARABENS VC EH DEMAIS
EDILOY A C FERRARO disse:
…preciosidade esta descoberta, fã de Rubem Braga ficcionista em prosa, não o conhecia em tecedor de versos, nada a dever ao talento das narrativas longas, estes versos reverberam vida, desalento, tédio, mas belos ao refletir a realidade, APLAUSOS !!!
Marina disse:
muito bom! não conhecia Rubem Braga poeta. Parabéns pelo blog.