Blog dos Poetas

Quarenta Anos

de

A vida é para mim, está se vendo,
Uma felicidade sem repouso;
Eu nem sei mais se gozo, pois que o gozo
Só pode ser medido em se sofrendo.

Bem sei que tudo é engano, mas sabendo
Disso, persisto em me enganar… Eu ouso
Dizer que a vida foi o bem precioso
Que eu adorei. Foi meu pecado… Horrendo

Seria, agora que a velhice avança,
Que me sinto completo e além da sorte,
Me agarrar a esta vida fementida.

Vou fazer do meu fim minha esperança,
Ôh sono, vem!… Que eu quero amar a morte
Com o mesmo engano com que amei a vida.

postado por em 01-08-2007
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  • rAPHAEL

    onde ele nasceu em que ano em que mês ele nasceu? quais os nomes de seus pais? se ele tem irmãos quantos livros foram publicados?
    qual foi seu primeiro livro?
    se é casado quantos filhos com quantos anos ele comerçou a fazer poesia se tem alguma especial para alguem qual e quantas? qual a cidade que ele mora atualmente?
    envie para o meu email

  • http://sitedepoesias.com.br/poetas/peka Ederson Peka

    rAPHAEL,

    Ahn… Não! ;-)

  • Leidmary

    muito bom este poema..

  • Daiane Rafaela

    ele é sensacionalll

  • http://www.blogdoediloy.blogspot.com Ediloy Antonio Carlos Ferraro

    …que angústia existencial o visita o atormenta, diante à presumida velhice aos 40 ? Redemoinhos que arrastam dúvidas, onde a glória maior em contradição é a vida, cujo gozo se mescla com o sofrer… quantos labiritos nos arrasta o poeta modernista em suas aflições íntimas, humanas e eternas do homem diante à vida e a morte…

  • http://www.clinicaveredas.com isabel horta

    Senti vontade de compartilhar com Ediloy a experiencia dos 40 anos do Mario de andrade:
    VELHICE

    Fui lembrado
    ainda em vida,
    numa roda de samba,
    só pelos bons momentos do meu ser
    e nem precisei reclamar atenção.

    Todos passam a mão na cabeça,
    dão-me os olhos mais carinhosos,
    e só não acho que sou criança,
    porque sinto os corpos em volta
    perguntando por segredos,
    adivinhados no tempo
    e no silêncio das dúvidas.

    O que não posso ter
    é como o que nunca tive:
    não mais a dor do limite,
    que o cansaço dos anos
    agora,
    me força não ignorar.
    Apenas a insipidez
    do não ter sido,
    como um medo de perder o que
    não chegamos a ter…

    Planejo o passado
    fazendo o que posso
    do aqui e agora,
    pois há perguntas ao
    futuro ,
    que podemos responder
    apenas sendo….

    Ser feliz
    está no paradoxo
    do começo:
    ser do nada
    e no interstício
    do fim,continuar
    no início….

    O próximo passo
    não se seguirá mais ao dado.

  • Pingback: Kvardek jaroj – Mário de Andrade « Iuj Versoj()

  • Jeferson

    O cara defendia a arte livre e faz um soneto decassílabo… É para provar que os ensinos sobre Escolas Literárias é complicado! Padronizar os Poetas dentro de Escolas é difícil, assim como Mário, outros Poetas de outras Estéticas também produziam poesias diferentes das canônicas.