A Rua dos Cataventos ( XXVII )
Quando a luz estender a roupa nos telhadosE for todo o horizonte um frêmito de palmasE junto ao leito fundo nossas duas almasChamarem nossos corpos nus, entrelaçados, Seremos, na manhã, duas máscaras calmasE felizes, de… A Rua dos Cataventos ( XXVII )
O Sono das Águas
Há uma hora certa,no meio da noite, uma hora morta,em que a água dorme. Todas as águas dormem:no rio, na lagoa,no açude, no brejão, nos olhos d’água,nos grotões fundosE quem ficar acordado,na barranca, a noite… O Sono das Águas
A Educação pelo Pó
Os fatos e coisas do cotidiano,Parecem-nos doces e sadios.Encarnam a doçura daquilo que não se esvai,Como se o tempo e a felicidade se estendessem ao infinito.Entretanto, doces enganos sãoEstes pensamentos seguros a respeito do mundo.Tolos… A Educação pelo Pó
A Esperança
A Esperança não murcha, ela não cansa,Também como ela não sucumbe a Crença.Vão-se sonhos nas asas da Descrença,Voltam sonhos nas asas da Esperança. Muita gente infeliz assim não pensa;No entanto o mundo é uma ilusão… A Esperança
Coração de Pedra
Oh, quanto me pesaeste coração, que é de pedra!Este coração que era de asasde música e tempo de lágrimas. Mas agora é sílex e quebraqualquer dura ponta de seta. Oh, como não me alegrater este… Coração de Pedra
O Fazedor de Amanhecer
Sou leso em tratagens com máquina.Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.Em toda a minha vida só engenheiTrês máquinasComo sejam:Uma pequena manivela para pegar no sono.Um fazedor de amanhecerpara usamentos de poetasE um platinado de mandioca… O Fazedor de Amanhecer