Pré-História
Mamãe vestida de rendasTocava piano no caos.Uma noite abriu as asasCansada de tanto som,Equilibrou-se no azul,De tonta não mais olhouPara mim, para ninguém!Caiu no álbum de retratos.
Mamãe vestida de rendasTocava piano no caos.Uma noite abriu as asasCansada de tanto som,Equilibrou-se no azul,De tonta não mais olhouPara mim, para ninguém!Caiu no álbum de retratos.
A música do espaço pára, a noite se divide em dois pedaços.Uma menina grande, morena, que andava na minha cabeça,fica com um braço de fora.Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.Um anjo cinzento… Corte Transversal do Poema
Noites de lanças e estandarte azul,Não vertes sobre a terra desconformeO teu bálsamo antigo de sossego:Vem antes o veneno da tua esfera. Que destruições geraste no teu ventreEnquanto os homens se velavam a face!Templo de… Meditação da Noite
Pelas curvas da tarde vem surgindoA inefável palavra Agnus Dei.Ouço balidos pelo mundo inteiro:Matam o cordeiro branco redentor. As armas do futuro desenhadasVejo no espaço, túmulos abertos:Os balidos rebentam das gargantasAté dos que inda estão… O Rito Humano
Desdobram-se as montanhas de Ouro PretoNa perfurada luz, em plano austero.Montes contempladores, circunscritosEntre cinza e castanho, o olhar domado Recolhe vosso espectro permanente.Por igual pascentais a luz difusaQue se reajusta ao corpo das igrejas,E volve… Montanhas de Ouro Preto
Eu sou triste como um prático de farmácia,sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulhermas só ouço o tectec das máquinas de escrever. Lá fora… Modinha do Empregado de Banco
Diante do crucifixoEu paro pálido tremendo“Já que és o Verdadeiro Filho de DeusDesprega a humanidade desta cruz”.
Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonhoNinguém se banha duas vezes no mesmo rioNem ama duas vezes a mesma mulher. Deus, de onde tudo deriva,É a circulação e o movimento infinito. Ainda não estamos acostumados… Reflexão nº 1
Colecionava amizadesPendura corrente de sorrisos estáticosNo pescoçoOstentava tantos e tantosSorrisos-dentadurasPolia-os à noite com gotas de lágrimasRetidasUm dia o colar mordeu-lhe a jugularJorrou-lhe rios de ausências
Às folhas tantasDo livro matemáticoUm Quociente apaixonou-seUm diaDoidamentePor uma Incógnita.Olhou-a com seu olhar inumerávelE viu-a, do Ápice à Base,Uma Figura Ímpar;Olhos rombóides, boca trapezóide,Corpo otogonal, seios esferóides.Fez da suaUma vidaParalela a delaAté que se encontraramNo… Poesia Matemática
Deita, filhoE constrói teu sonoO medo já vem.Fecha os olhos dos ouvidosFaz escuro aos ruídosAmortece o brilho desse som.Pronto, a angústia gira mudaNo longplei sem sulcosDa noite sem insônia.Dorme, filho,Faz silêncio na Amazônia
Eu sou do tempo em que a mulherMostrar o tornozeloEra um apelo!Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernasDe mulherSem saia;Mas foi na praia! A moda avançaA saia sobe maisMostra os joelhosInfernais! As fazendasCom os anosSe… Poeminha de Louvor ao “Strip-tease” Secular