As meninas
Arabelaabria a janela. Carolinaerguia a cortina. E Mariaolhava e sorria:“Bom dia!” Arabelafoi sempre a mais bela. Carolina,a mais sábia menina. E Mariaapenas sorria:“Bom dia!” Pensaremos em cada meninaque vivia naquela janela; uma que se chamava… As meninas
Perdoa-me, visão dos meus amores
Perdoa-me, visão dos meus amores,Se a ti ergui meus olhos suspirando!…Se eu pensava num beijo desmaiandoGozar contigo uma estação de flôres! De minhas faces os mortais palores,Minha febre noturna delirando,Meus ais, meus tristes ais vão… Perdoa-me, visão dos meus amores
O primeiro poema
O menino foi andando na beira do rioe achou uma voz sem boca.A voz era azul.Difícil foi achar a boca que falasse azul.Tinha um índio terena que diz-quefalava azul.Mas ele morava longe.Era na beira de… O primeiro poema
A Cruz da Estrada
Caminheiro que passas pela estrada,Seguindo pelo rumo do sertão,Quando vires a cruz abandonada,Deixa-a em paz dormir na solidão. Que vale o ramo do alecrim cheirosoQue lhe atiras nos braços ao passar?Vais espantar o bando buliçosoDas… A Cruz da Estrada
Tecendo a Manhã
1.Um galo sozinho não tece uma manhã:ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que elee o lance a outro; de um outro galoque apanhe o grito de um galo antese… Tecendo a Manhã
Romantismo
Seremos ainda românticose entraremos na densa mata,em busca de flores de prata,de aéreos, invisíveis cânticos. Nas pedras, à sombra, sentados,respiraremos a frescurados verdes reinos encantadosdas lianas e da fonte pura. E tão românticos seremos,de tão… Romantismo
Ao Aleijadinho
Pálida a lua sob o pálio avançaDas estrelas de uma perdida infância.Fatigados caminhos refazemosDa outrora máquina da mineração. É nossa própria forma, o frio moldeQue maduros tentamos atingir,Volvendo à laje, à pedra de olhos facetados,Sem… Ao Aleijadinho
A Rua dos Cataventos ( XIX )
Minha morte nasceu quando eu nasci.Despertou, balbuciou, cresceu comigo…E dançamos de roda ao luar amigoNa pequenina rua em que vivi. Já não tem mais aquele jeito antigoDe rir e que, ai de mim, também perdi!Mas… A Rua dos Cataventos ( XIX )
O Lenço Dela
Quando a primeira vez, da minha terraDeixei as noites de amoroso encanto,A minha doce amante suspirandoVolveu-me os olhos úmidos de pranto. Um romance cantou de despedida,Mas a saudade amortecia o canto!Lágrimas enxugou nos olhos belos…E… O Lenço Dela