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Poesia III

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Belas, airosas, pálidas, altivas,como tu mesma, outras mulheres vejo:são rainhas, e segue-as num cortejoextensa multidão de almas cativas. Têm a alvura do mármore; lascivasformas; os lábios feitos para o beijo;e indiferente e desdenhoso as vejobelas,… Poesia III

Folha Solta

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Não me culpeis a mim de amar-vos tanto,mas a vós mesma e à vossa formosura,pois se vos aborrece, me torturaver-me cativo assim de vosso encanto. Enfadai-vos; parece-vos que, enquantomeu amor se lastima, vos censura;mas sendo… Folha Solta

Saudade

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Belos amores perdidos,Muito fiz eu com perder-vos;Deixar-vos, sim: esquecer-vosFora demais, não o fiz. Tudo se arranca do seio,– Amor, desejo, esperança…Só não se arranca a lembrançaDe quando se foi feliz. Roseira cheia de rosas,Roseira cheia… Saudade

IV

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Eu não espero o bem que mais desejo:Sou condenado, e disso convencido;Vossas palavras, com que sou punido,São penas e verdades que sobejo. O que dizeis é mal muito sabido,Pois nem se esconde nem procura ensejo,E… IV

Velho Tema (II)

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Eu cantarei de amor tão fortementeCom tal celeuma e com tamanhos bradosQue afinal teus ouvidos, dominados,Hão de à força escutar quanto eu sustente. Quero que meu amor se te apresente– Não andrajoso e mendigando agrados,Mas… Velho Tema (II)

Inteiramente Louco

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Senhora minha, pois que tão senhoraSois, e tão pouco minha, eu bem entendoQue sorrindo negais quanto, gemendo,Amor com os olhos rasos d’água implora. Meu coração, coitado, não ignoraQue num sonho bem vão todo o dispendoE… Inteiramente Louco

A Rua dos Cataventos ( III )

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Quando os meus olhos de manhã se abriram,Fecharam-se de novo, deslumbrados:Uns peixes, em reflexos doirados,Voavam na luz: dentro da luz sumiram-se… Rua em rua, acenderam-se os telhados.Num claro riso as tabuletas riram.E até no canto… A Rua dos Cataventos ( III )

Eu Cantarei de Amor Tão Docemente

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Eu cantarei de amor tão docemente,Por uns termos em si tão concertados,Que dois mil acidentes namoradosFaça sentir ao peito que não sente. Farei que amor a todos avivente,Pintando mil segredos delicados,Brandas iras, suspiros magoados,Temerosa ousadia… Eu Cantarei de Amor Tão Docemente

O Catador

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Um homem catava pregos no chão.Sempre os encontrava deitados de comprido,ou de lado,ou de joelhos no chão.Nunca de ponta.Assim eles não furam mais – o homem pensava.Eles não exercem mais a função de pregar.São patrimônios… O Catador

Teus Olhos

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Olhos do meu Amor! Infantes loirosQue trazem os meus presos, endoidados!Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:Meus anéis, minhas rendas, meus brocados. Neles ficaram meus palácios moiros,Meus carros de combate, destroçados,Os meus diamantes, todos os… Teus Olhos

Círculo Vicioso

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Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:-“Quem me dera que fosse aquela loura estrela,Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: -“Pudesse eu copiar o transparente lume,Que, da… Círculo Vicioso