O meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece.
Abre na escuridão sua quermesse.
É todo fome, e eis que repele a gula.
Sua escama de fel nunca se anula
e seu rangido nada tem de prece.
Uma aranha invisível é que o tece.
O meu amor, paralisado, pula.
Pulula, ulula. Salve, lobo triste!
Quando eu secar, ele estará vivendo,
já não vive de mim, nele é que existe
o que sou, o que sobro, esmigalhado.
O meu amor é tudo que, morrendo,
não morre todo, e fica no ar, parado.
postado por Célia de Lima em 06-05-2010
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Tatiane disse:
Ahhh o Drummond! Que soneto lindo!
EDILOY A C FERRARO disse:
…incêndios íntimos acalentados no imo e pusilânimes nas atitudes, ocultos nas intenções, tímidos nas resoluções…o poeta se expõe na descrição de seus recônditos, onde o desejo é intenso, mas anoitece na superfície…
kezia disse:
bom ameios poemas por isso amo tanto drumond
Nathasha disse:
Amei minha filha tirou nota 10 nisso!!!!
Projeto Sp Arte disse:
Bem dito !
Bem dito seja esse Carlos,
Bem dito seja esse homem,
Bem dito seja o fruto de suas ideias,
Que seja Bem dita a poesia!
projeto SP Arte
EDILOY A C FERRARO disse:
..dias há, em que a realidade, por comezinha, cansa, e se busca, em alheios devaneios, um mar a se navegar…
Henrique disse:
Que tipo de linguagem figurada tem os dois primeiros versos?
loren/ karla/ aryane disse:
Seu poema eh otimo!!! Gostei de seu poema, ele fala coisas no qual eu ja pensei antes!! xD
alunos do emmanuel disse:
Amamos o seu poema , você tem otimas ideias, nos ajudou a refletir sobre os nossos sentimentos , muito obrigada !
daniel disse:
espero chegar aos seos pe´s!