Não sei quem sou nem sei por que motivo
Vim ao mundo e o que nele vim fazer.
Sei que penso e, portanto, sei que vivo,
Neste anseio instintivo de viver.
Porque procedo do homem primitivo,
Há rugidos de fera no meu ser.
Bom e mau, triste e alegre, humilde e altivo,
Não me posso, a mim mesmo, compreender.
Pois se, de mim, não sei causa e destino,
Que dos outros, do mundo, saberei?
Que definir, se a mim não me defino?
E sigo, ao léu da vida, a ignota lei,
Descrendo das verdades que imagino
E acreditando em tudo o que não sei.
postado por Ederson Peka em 26-10-2006
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Felipa disse:
Soneto lindo e revelador daquilo que somos: ignorantes. A ideia de sabedoria é que estraga a nossa alma e nos transforma em simples marionetas desta vida em que a ciência tenta explicar tudo.
“E acreditando em tudo que não sei”…
Óptimo, esse Bastos Tigre.