Blog dos Poetas

Com os Mortos

de

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos…

E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos…

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.

postado por Ederson Peka em 07-02-2010

5 Comentários para “Com os Mortos”


  1. Felipa disse:

    Este soneto de Antero eleva-nos ao encontro daqueles que amamos e que já não se encontram entre nós fisicamente, dando-nos a certeza de que eles estarão sempre connosco. Com eles poderemos falar e conversar, desabafar mágoas e relatar alegrias, pois eles nos ouvirão e entenderão como ninguém…


  2. Infeto disse:

    “Nós que aqui em breve estaremos com vós” Abraços


  3. EDILOY A C FERRARO disse:

    …inspirador este contato com tênues véus
    que nos separam dos idos e dos vivos, alimentados nas nossas lembranças, em dúvidas e cogitações filosóficas, sempre inspirada pela MUSA maior das ciências, da filosofia, das artes, a mais emblemática e enigmática de todos nossos dilemas da existência, sua finitude, a MORTE.


  4. Mi disse:

    A morte, no seu mistério, na sua infinita e eterna noite…


  5. jeane arante disse:

    Antero poeta que fala sobre amorte de maneira a explicar a sequencia da vida, a possibilidade da convivência com nossos antepassados.

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