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Retrato do Poeta Quando Jovem

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Há na memória um rio onde navegamOs barcos da infância, em arcadasDe ramos inquietos que despregamSobre as águas as folhas recurvadas. Há um bater de remos compassadoNo silêncio da lisa madrugada,Ondas brancas se afastam para… Retrato do Poeta Quando Jovem

Na Ilha Por Vezes Habitada

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Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.Então sabemos tudo do que foi e será.O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande… Na Ilha Por Vezes Habitada

Eu luminoso não sou

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Eu luminoso não sou. Nem sei que hajaUm poço mais remoto, e habitadoDe cegas criaturas, de histórias e assombros.Se, no fundo poço, que é o mundoSecreto e intratável das águas interiores,Uma roda de céu ondulando… Eu luminoso não sou

Fragmento 4

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O interrogatório do homem que saiu de casa depois da hora de recolher começou há quinze dias e ainda não acabou Os inquiridores fazem uma pergunta em cada sessenta minutos vinte quatro por dia e… Fragmento 4

Não me Peçam Razões

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Não me peçam razões, que não as tenho,Ou darei quantas queiram: bem sabemosQue razões são palavras, todas nascemDa mansa hipocrisia que aprendemos. Não me peçam razões por que se entendaA força de maré que me… Não me Peçam Razões

Último Credo

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Como ama o homem adúltero o adultérioE o ébrio a garrafa tóxica de rum,Amo o coveiro – este ladrão comumQue arrasta a gente para o cemitério! É o transcendentalíssimo mistério!É o “nous”, é o “pneuma”,… Último Credo

Dolências

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Eu fui cadáver, antes de viver!…– Meu corpo, assim como o de Jesus Cristo,Sofreu o que olhos de homem não têm vistoE olhos de fera não puderam ver! Acostumei-me assim, pois, a sofrerE acostumado a… Dolências

A um Carneiro Morto

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Misericordiosíssimo carneiroEsquartejado, a maldição de PioDécimo caia em teu algoz sombrioE em todo aquele que for seu herdeiro! Maldito seja o mercador vadioQue te vender as carnes por dinheiro,Pois, tua lã aquece o mundo inteiroE… A um Carneiro Morto

Sonho de um Monista

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Eu e o esqueleto esquálido de EsquiloViajávamos, com uma ânsia sibarita,Por toda a pró-dinâmica infinita,Na inconsciência de um zoófito tranqüilo. A verdade espantosa do “Protilo”Me aterrava, mas dentro da alma aflitaVia Deus – essa mônada… Sonho de um Monista

Tempos Idos

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Não enterres, coveiro, o meu Passado,Tem pena dessas cinzas que ficaram;Eu vivo dessas crenças que passaram,E quero sempre tê-las ao meu lado! Não, não quero o meu sonho sepultadoNo cemitério da Desilusão,Que não se enterra… Tempos Idos

Soneto do Sonho

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O sonho, a crença e o amor, sendo a risonhaSantíssima Trindade da Ventura,Pode ser venturosa a criaturaQue não crê, que não ama e que não sonha?! Pois a alma acostumada a ser tristonhaPode achar por… Soneto do Sonho

Abandonada

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Bem depressa sumiu-se a vaporosaNuvem de amores, de ilusões tão bela;O brilho se apagou daquela estrelaQue a vida lhe tornava venturosa! Sombras que passam, sombras cor-de-rosa– Todas se foram num festivo bando,Fugazes sonhos, gárrulos voando–… Abandonada