Via Láctea, IV
Como a floresta secular, sombria,Virgem do passo humano e do machado,Onde apenas, horrendo, ecoa o bradoDo tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz do dia,Assim também, da luz do amor privado,Tinhas o… Via Láctea, IV
Como a floresta secular, sombria,Virgem do passo humano e do machado,Onde apenas, horrendo, ecoa o bradoDo tigre, e cuja agreste ramaria Não atravessa nunca a luz do dia,Assim também, da luz do amor privado,Tinhas o… Via Láctea, IV
Em mim também, que descuidado vistes,Encantado e aumentando o próprio encanto,Tereis notado que outras coisas cantoMuito diversas das que outrora ouvistes. Mas amastes, sem dúvida… Portanto,Meditai nas tristezas que sentistes:Que eu, por mim, não conheço… Via Láctea, VI
Por estas noites frias e brumosasÉ que melhor se pode amar, querida!Nem uma estrela pálida, perdidaEntre a névoa, abre as pálpebras medrosas… Mas um perfume cálido de rosasCorre a face da terra adormecida…E a névoa… Via Láctea, XVII
Sei que um dia não há (e isso é bastanteA esta saudade, mãe!) em que a teu ladoSentir não julgues minha sombra errante,Passo a passo a seguir teu vulto amado. – Minha mãe! minha mãe!… Via Láctea, XXI
Tu, que no pego impuro das orgiasMergulhavas ansioso e descontente,E, quando à tona vinhas de repente,Cheias as mãos de pérolas trazias; Tu, que do amor e pelo amor vivias,E que, como de límpida nascente,Dos lábios… Via Láctea, XXV
Ventre nu, seios nus, toda nua, cantandoDo esmorecer da tarde ao ressurgir do dia,Roma lasciva e louca, ao rebramar da orgia,Sonhava, de triclínio em triclínio rolando. Mas já da longe Cítia e da Germânia fria,Esfaimado,… Os Bárbaros
Bendito o que, na terra, o fogo fez, e o teto;E o que uniu a charrua ao boi paciente e amigo;E o que encontrou a enxada; e o que, do chão abjeto,Fez, aos beijos do… Benedicite!
Não me perdi numa ilusão… Perdi-meNa existência, entre os homens. E encontrei-os,Vivos, bem vivos! – estes monstros feios,Cujo peso afrontoso a terra oprime. Mas há monstros no bem, como no crime:Outros houve, que em hinos… Os Monstros
Camões sofre, na infâmia de clausura,Pária sem honra, náufrago sem nome;E rala, na saudade que o consome,O pobre peito contra a pedra dura. O seu gênio ilumina a abjeta lura…Mas a vida das carnes se… No Tronco de Goa