Os Poderes Infernais
de Carlos Drummond de AndradeO meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece
postado por Célia de Lima em 06-05-2010
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O meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece
Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo
A pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto…
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero