Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição
postado por Diego Eis em 19-12-2005
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mayra disse:
(José Saramago)
Com esse poema, Saramago ilustra uma “carta” dele para um astronauta. Ele conta para o astronauta que nada no mundo mudou. Alias, muita coisa no mundo mudou só que para pior.
A fome continua aumentando á cada dia mais, a mortalidade, nem se fala e a hipocrisia entre as pessoas de classes elevadas ao falar sobre o amor não para. Elas falam sobre o amor sem nem saber verdadeiramente o que é, falam do amor mais para se promover e para enganar os menos favorecidos.
EDILOY A C FERRARO disse:
As palavras conferem os recursos para expressar o que se vai n’alma, delas faz o poeta a sua arma, desfia seu canto, a sua indignação, e, indignando constroe em versos, refaz o universo, chora e encanta…