Blog dos Poetas

VII

de

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
-Gostar de fazer defeitos na frase é muito
saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da
vida um certo gosto por nadas…
E se riu.
Você não é de bugre? – ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas –
Pois é nos desvios que encontra as melhores
surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.

postado por em 05-03-2008
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2 Comentários para “VII”


  1. VII – Manoel de barros | José Carneiro Leão disse:

    […] Blog dos Poetas : VII – Poemas de escritores famosos e consagrados. […]


  2. EDILOY A C FERRARO disse:

    Que prosa gostosa sem ser banal, antes, reflexiva, nos atalhos por certo encontramos mais que nos caminhos abertos…

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