Blog dos Poetas

Último Credo

de

Como ama o homem adúltero o adultério
E o ébrio a garrafa tóxica de rum,
Amo o coveiro – este ladrão comum
Que arrasta a gente para o cemitério!

É o transcendentalíssimo mistério!
É o “nous”, é o “pneuma”, é o “ego sum qui sum”,
É a morte, é esse danado número “Um”
Que matou Cristo e que matou Tibério!

Creio, como o filósofo mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substância cósmica evolui…

Creio, perante a evolução imensa,
Que o homem universal de amanhã vença
O homem particular eu que ontem fui!

postado por em 20-03-2011
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3 Comentários para “Último Credo”


  1. Miguel Afonso disse:

    Um transcendentalíssimo poema!


  2. EDILOY A C FERRARO disse:

    …geralmente a temática de Augusto dos Anjos não é lírica, mas filosófica, abrangente. Não se atém em romantismos,não se vislumbra uma musa encantada, mas não economiza em ironias, calçado em
    questões transcendentais, onde a morte é sempre a referência, e o homem, impassível sua presa…talvez por isso seja, inconteste, atualíssimo sempre, perene nas suas incursões sempre presentes…


  3. jeiliane disse:

    realmente augusto dos anjos autentico de nenhuma forma eufemico. realmente adoro os poemas dele.

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