Blog dos Poetas

Soneto

de

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
– Risos, cores e luzes de verão –
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora:
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.

postado por em 22-03-2004
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8 Comentários para “Soneto”


  1. JULIANA CARDOSO disse:

    Quanta coisa linda há na literatura brasileira. Cada vez que leio poemas como este de Aurélio Buarque de Holanda, sinto tanta alegria por ser brasileira!!!

    Juliana Cardoso


  2. Adinael Nobre disse:

    Lindo! Um soneto que toca o nosso coração, esta obra nos aguça o desejo de viver um grande amor.
    É maravilhoso relembrar a nossa riqueza cultural. Um brinde à memória de Aurélio Buarque de Holanda.


  3. Eduardo disse:

    Sempre maravilhosos os poemas de Aurélio Buarque de Holanda.

    Muito bom, parabéns pelo Blog


  4. vitoria disse:

    eu gosto muito dos jogos de meninas


  5. yaggo disse:

    so tem essa poesia do aurelio


  6. maria clementina disse:

    muito bonito esse soneto é realmente o amor altruista, amar por amar verdadeiramente,salva de palmas para o poeta,Maria Clementina


  7. EDILOY A C FERRARO disse:

    …amar, sentimento dúbio, será que amamos alguém ou a nós mesmos? Amar na figura da outra ou outra aquilo que nos apraz ao ego, seja a beleza física ou interesse outros…amar, no sentido da renúncia, tal qual revela veemente o poeta, traz-nos indagações e questionamentos, alguns, com certeza, incômodos…


  8. TÂNIA GAMA disse:

    Fantástico!
    um soneto que nos faz refletir sobre
    esse sentimento maravilhoso, que toca
    o nosso coração e nos faz olhar para
    dentro de nós fazendo-nos refletir e dizer: Eu quero alguém para ser feliz.

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