Blog dos Poetas

de

Este, que um deus cruel arremessou à vida,
Marcando-o com o sinal da sua maldição,
– Este desabrochou como a erva má, nascida
Apenas para aos pés ser calcada no chão.

De motejo em motejo arrasta a alma ferida…
Sem constância no amor, dentro do coração
Sente, crespa, crescer a selva retorcida
Dos pensamentos maus, filhos da solidão.

Longos dias sem sol! noites de eterno luto!
Alma cega, perdida à toa no caminho!
Roto casco de nau, desprezado no mar!

E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto;
E, homem, há-de morrer como viveu: sozinho!
Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar!

postado por em 24-10-2010
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2 Comentários para “Só”


  1. Antonio Cícero da Silva(Águia) disse:

    Belo texto, do mestre Olavo Bilac. Escrito com a total segurança, de quem realmente é mestre…


  2. Miguel Afonso disse:

    A solidão, esse mal ruim que corrompe o nosso coração…

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