Blog dos Poetas

Rio

de

– Bojuda serpe, dócil crocodilo –
coleia o rio… Atrás, uma montanha
figura um cavaleiro a persegui-lo
de longe… E, distanciando-se, o acompanha.

Adiante, o bosque todo se emaranha
para deter-lhe o curso e constringi-lo:
o rio, surdo e cego à ameaça estranha,
vai correndo, monótono e tranqüilo…

Abre-se o abismo ali para tragá-lo:
e o rio, dorso ondeante ao beijo eóleo,
salta, a crina a flutuar… régio cavalo!

E ancho, e triunfante, como um rei no sólio,
avança para o Mar, quer dominá-lo…
E o Mar, que o espera, num bocejo, engole-o…

postado por em 28-06-2009
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1 Comentário para “Rio”


  1. goncalves disse:

    Gosto muito da poesia de Hermes Fontes,pela criatividade exuberante de sua obra,que às vezes é até filosófica;acho que ele,assim como outros poetas brasileiros,é um pouco injustiçado.Há uma certa rejeição da crítica aos poetas parnasianos;mas a verdade é que o Parnasianismo deixou poemas de rara beleza e perfeição,que devem ser considerados.

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