Blog dos Poetas

Psicologia de um Vencido

de

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

postado por em 11-11-2002
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54 Comentários para “Psicologia de um Vencido”


  1. robert disse:

    ) Qe palavra da 1estrofe resume a autodepreciação do eu lirico? Ele aplica somente a si mesmo ou ela vale para designar toda a especie humana?


  2. Mariana Rios Gonçalves disse:

    na boa quem gosta desse tipo de poema deve ter algum probleminha, porque meu Deus, essa coisa é muito sem noção, quem é que vai querer ficar lendo sobre como você vai se acabar, é por isso que na época dele isso era considerado antipoético, pois, falar sobre como um dia você se acabará não é bem vindo para praticamente ninguém, não é prazeroso ler sobre sua própria morte, todos já sabem como vão se acabar, não é preciso mostrar em poemas esse fato .


  3. EDILOY A C FERRARO disse:

    Reler estes versos recheados de teatralidade e horrores, costurados com fina ironia e talento, é sempre um prazer…


  4. santilia disse:

    quantos versos ha no poema ?

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