Blog dos Poetas

Pranto Seco

de

O que há sob essa máscara é um pranto seco,
pranto final, sem lágrimas, calado.
A pele ressecou-se em fruto peco,
a fronte dolorida, o olhar parado.

Não há saída mais para esse beco.
Tudo perdido, tudo consumado.
O que há sob essa máscara é um pranto seco,
sem esponja de fel e último brado.

As formigas subiram pela fronte
e desceram ligeiras pelos cravos
das patas ressequidas, pelas unhas…

Cadáver seco em solitário monte,
sem complacências e sem desagravos,
sem madalenas e sem testemunhas.

postado por em 28-04-2013
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2 Comentários para “Pranto Seco”


  1. CLEMENCE disse:

    MUITO BOM

    https://twitter.com/CLEMENCENUMAN


  2. EDILOY A.C.FERRARO disse:

    Permito-me transcrever algumas considerações sobre o autor exaradas na WIKIPÉDIA, à guisa de pequena contribuição para estudantes e amantes da boa poesia, no extenso acervo de grandes nomes da nossa literatura.
    Os textos de Jorge de Lima abrigam uma colossal possibilidade de leituras (a convivência entre a tradição e o novo, o vulgar e o sublime, o regional e o universal) refletem um artista em constante mutação, que experimentou estilos diversos como o parnasiano, o o regional o barroco, o religioso. Na sua multiplicidade, Jorge de Lima pertence a todas as épocas, mesmo se reportando a um tema ou uma situação específica, ao tocar em injustiças sociais que mudaram pouco desde o início da civilização e quando escreve sobre as grandes dúvidas de todos nós, “…da miséria humana, da tentativa de superação de nossas amarras e de nossas limitações.”, explica o poeta e jornalista Claufe Rodrigues, leitor voraz de Jorge de Lima.

    Nestes versos, revestidos de uma atualidade que se manterá, visto que trata dos dilemas e dos eternos questionamentos humanos, o poeta nos coloca frente a frente com nossas cogitações mais íntimas, doloridas.

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