Blog dos Poetas

Pomba e Chacal

de

Ó Natureza! ó mãe piedosa e pura!
Ó cruel, implacável assassina!
– Mão, que o veneno e o bálsamo propina
E aos sorrisos as lágrimas mistura!

Pois o berço, onde a boca pequenina
Abre o infante a sorrir, é a miniatura
A vaga imagem de uma sepultura,
O gérmen vivo de uma atroz ruína?!

Sempre o contraste! Pássaros cantando
Sobre túmulos… flores sobre a face
De ascosas águas pútridas boiando…

Anda a tristeza ao lado da alegria…
E esse teu seio, de onde a noite nasce,
É o mesmo seio de onde nasce o dia…

postado por em 05-07-2009
Compartilhar

2 Comentários para “Pomba e Chacal”


  1. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …o parnasianismo, se não me falha a memória dos tempos de estudante, era a escola literária que primava pela forma…curiosamente estes versos, caso não soubesse o autor, poderia afirmar tratar-se de Augustos dos Anjos, poeta angustiado, e não do nobre Olavo Bilac, tão sereno autor de versos mais serenos, mas não menos intensos…cada qual com a sua época e escolhas…lindos versos.


  2. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    retificando: ambos os poetas citados, tanto Olavo Bilac, como Augusto dos Anjos, foram considerados parnasianos,foram contemporâneos… a Obra de Bilac o tornou o maior símbolo desta escola, considerado o Princípe dos Poetas; quanto ao Augusto dos Anjos, foi também considerado pré-moderno pelo poeta Ferreira Gullar. Augusto dos Anjos primou pela originalidade de sua obra, um único livro Eu e outros poemas.

Deixe Seu Comentário