Blog dos Poetas

Palmeira

de

Olho a nobre palmeira, em cujo cimo, a fronde
Se agita a farfalhar; e, ora canta e assobia,
Ora esbraveja, em fúria, ou solta, de onde em onde,
Gemidos de uma atroz, lancinante agonia…

Que alma contraditória em teu cerne se esconde
Que te faz rir, alegre, ou suspirar, sombria?
E a palmeira imperial, humilde, me responde:
– Não sou eu! Quem me agita a fronde é a ventania!

Olho, agora, aos meus pés, uma couve tronchuda
As folhas oscilando em leve movimento,
Para cá, para lá, conforme o vento muda.

– Esta, digo eu, não tem prazer nem sofrimento!
E ela, abrindo num riso a face repolhuda,
Impa de orgulho e diz: — Sou eu quem faz o vento!

postado por em 31-05-2009
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3 Comentários para “Palmeira”


  1. Catia disse:

    100% Bastos Tigre. Ótima escolha!


  2. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …interessante reflexão nos traz o poeta, nesta quase parábola poética; do alto, na majestade das alturas, a imperial palmeira louva o vento pelas oscilações de suas folhas…abaixo, tacanha, rente ao solo, contudo, impetuosa e orgulhosa, a couve convencida se arroga detentora das forças do vento…brilhante analogia para a vida humana, onde tais fatos são tão frequentes…


  3. felipa disse:

    Quantos de nós somos a couve e nem reconhecemos a majestade da palmeira!…

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