Blog dos Poetas

Os Poderes Infernais

de

O meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece.
Abre na escuridão sua quermesse.
É todo fome, e eis que repele a gula.

Sua escama de fel nunca se anula
e seu rangido nada tem de prece.
Uma aranha invisível é que o tece.
O meu amor, paralisado, pula.

Pulula, ulula. Salve, lobo triste!
Quando eu secar, ele estará vivendo,
já não vive de mim, nele é que existe

o que sou, o que sobro, esmigalhado.
O meu amor é tudo que, morrendo,
não morre todo, e fica no ar, parado.

postado por em 06-05-2010
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10 Comentários para “Os Poderes Infernais”


  1. Tatiane disse:

    Ahhh o Drummond! Que soneto lindo!
    🙂


  2. EDILOY A C FERRARO disse:

    …incêndios íntimos acalentados no imo e pusilânimes nas atitudes, ocultos nas intenções, tímidos nas resoluções…o poeta se expõe na descrição de seus recônditos, onde o desejo é intenso, mas anoitece na superfície…


  3. kezia disse:

    bom ameios poemas por isso amo tanto drumond


  4. Nathasha disse:

    Amei minha filha tirou nota 10 nisso!!!!


  5. Projeto Sp Arte disse:

    Bem dito !

    Bem dito seja esse Carlos,
    Bem dito seja esse homem,
    Bem dito seja o fruto de suas ideias,
    Que seja Bem dita a poesia!

    projeto SP Arte


  6. EDILOY A C FERRARO disse:

    ..dias há, em que a realidade, por comezinha, cansa, e se busca, em alheios devaneios, um mar a se navegar…


  7. Henrique disse:

    Que tipo de linguagem figurada tem os dois primeiros versos?


  8. loren/ karla/ aryane disse:

    Seu poema eh otimo!!! Gostei de seu poema, ele fala coisas no qual eu ja pensei antes!! xD


  9. alunos do emmanuel disse:

    Amamos o seu poema , você tem otimas ideias, nos ajudou a refletir sobre os nossos sentimentos , muito obrigada !


  10. daniel disse:

    espero chegar aos seos pe´s!

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