Blog dos Poetas

Os Olhos da Morte

de

A impressão já guardaste, de estranheza,
Já tiveste a memória da agonia,
Vendo uma luz qualquer, durante o dia,
Que, às vezes, fica, por descuido, acesa?

Causa-nos mal-estar, dando surpresa,
Uma alâmpada, a arder, serena e fria:
Enquanto o sol fortíssimo irradia,
Mete medo esse olhar, pela tristeza.

O ouro é fúnebre e fosco. Sem viveza,
A imóvel chama esbate-se, e, sombria,
Vela de crepe a imagem da beleza.

Fogo-fátuo que as campas alumia,
Essa impassível, gélida clareza,
Vem dos olhos da Morte: ela vigia.

postado por em 26-05-2013
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