Blog dos Poetas

O Peixe

de

Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

postado por em 19-02-2009
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3 Comentários para “O Peixe”


  1. Renato Fiaschi disse:

    …essa qualidade de peixe, meu vélho, “anda”….por todo solo do povo latino-americano…..não é sómente parábola daquele matuto do sertão do Norte…..


  2. Antonio disse:

    Eh, “peixe na isca”, é o retrato de homens inconscientes de suas razôes políticas, vive entranhado nas selva escura de Dante, crente, esperançoso, evitando o choque, a revolta “armada” frente ao descaso, ao populismo traiçoeiro. Como retratou o nosso bom nordestino, Patativa, partindo do local ele universalizou essa coisificação humana diante de tanta armadilha, de tanta tramóia e politicagem por que é sujeito o nosso bom povo brasileiro, um abraço.


  3. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    que prazer ler o discorrer da narrativa fácil, vivida e marcante de Patativa do Assaré, poeta genuinamente popular, com gosto de causos de cordel…a sua arguta crítica política em tom de humorada crônica é um deleite de leitura.

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