Blog dos Poetas

Noturno

de

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento…

Como um canto longínquo – triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento…

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!

postado por em 15-08-2006
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1 Comentário para “Noturno”


  1. ßorbolet@ @zul disse:

    * Lamento *

    Um dilúvio de luz cai da montanha:
    Eis o dia! Eis o sol! O esposo amado!
    Onde há por toda a terra um só cuidado
    Que não dissipe a luz que o mundo banha?

    Flor a custo medrada em erma penha.
    Revolto mar ou golfo congelado,
    Aonde há ser de Deus tão olvidado
    Para quem paz e alívio o céu não tenha?

    Deus é Pai! Pai de toda a criatura:
    E a todo o ser o seu amor assiste:
    De seus filhos o mal sempre lembrado….

    Ah! Se deus a seus filhos dá ventura
    Nesta hora santa… e eu só posso ser triste…
    Serei filho, mas filho abandonado!

    [Antero de Quental]

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