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Nariz, Nariz e Nariz

de

Nariz, nariz, e nariz,
Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz;
Nariz, que Newton não quis
Descrever-lhe a diagonal;
Nariz de massa infernal,
Que, se o cálculo não erra,
Posto entre o Sol e a Terra,
Faria eclipse total!

postado por em 01-03-2009
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4 Comentários para “Nariz, Nariz e Nariz”


  1. ßorbolet@ @zul disse:

    Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

    Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
    Quantas vezes, Razão, me tens curado?
    Quão fácil de um estado a outro estado
    O mortal sem querer é conduzido!

    Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
    Como que até regia a mão do fado,
    Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
    Depois com ferros vis se vê cingido:

    Para que o nosso orgulho as asas corte,
    Que variedade inclui esta medida,
    Este intervalo da existência à morte!

    Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
    É lei da natureza, é lei da sorte,
    Que seja o mal e o bem matiz da vida.

    [Manuel Maria Barbosa du Bocage]


  2. felipa disse:

    Peço desculpa, mas não reconheço esse poema como sendo de Bocage. Não estou dizendo que não é dele, só que não reconheço o poeta nesse poema aí. Ele dava preferência ao soneto, apesar de também escrever outro género, e esse poema acho difícil ser dele. Ele escrevia assim, se referindo a ele próprio e ao seu proeminente nariz:

    Magro, de olhos azuis, carão moreno
    Bem servido de pés, meão na altura
    Triste de facha, o mesmo de figura
    Nariz alto no meio e não pequeno.

    Incapaz de assistir num só terreno
    Mais propenso ao furor do que à ternura
    Bebendo em níveas mãos por taça escura
    De zelos infernais letal veneno.

    Devoto incensador de mil deidades
    (Digo, de moças mil) num só momento
    E somente no altar amando os frades.

    Eis Bocage,em quem luz algum talento;
    Sairam dele mesmo estas verdades
    Num dia em que se achou mais pachorrento.

    (Retirado de: Bocage – obras escolhidas – RBA – 2005)


  3. raphaela disse:

    É, Felipa, o epigrama “nariz” é do Bocage sim…
    E é bem a cara dele, não concorda?
    É um dos grandes poetas satíricos da Línga Portuguesa! E nesse pequeno poeminha ele satirizou a si, reclamando de uma das suas marcas mais características: o nariz grande e feio!


  4. Nariz, Nariz e Nariz… « Sim or No? disse:

    […] poesia original […]

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