Blog dos Poetas

Lúbrica

de

Mandaste-me dizer,
No teu bilhete ardente,
Que hás de por mim morrer,
Morrer muito contente.

Lançaste no papel
As mais lascivas frases;
A carta era um painel
De cenas de rapazes!

Ó cálida mulher,
Teus dedos delicados
Traçaram do prazer
Os quadros depravados!

Contudo, um teu olhar
É muito mais fogoso,
Que a febre epistolar
Do teu bilhete ansioso:

Do teu rostinho oval
Os olhos tão nefandos
Traduzem menos mal
Os vícios execrandos.

Teus olhos sensuais,
Libidinosa Marta,
Teus olhos dizem mais
Que a tua própria carta.

As grandes comoções
Tu, neles, sempre espelhas;
São lúbricas paixões
As vívidas centelhas…

Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais,
Que muitas bibliotecas!

postado por em 21-06-2009
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4 Comentários para “Lúbrica”


  1. jessé barbosa de oliveira disse:

    ah, cesário, que saudades eu tinha de sua
    eloquente e ferina poética!


  2. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …narrar a mulher amada como profanada, é um misto de sofrer com prazer, pois ama-se a fase profana e ao tempo em que a renega, luta intensa dos valores íntimos que formaram a nossa cultura machista…amamos a fêmea impudica, mas ai dela se aparentar como tal !!!


  3. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    Sugestão: tenho observado que número considerável de pessoas buscam neste site informações sobre autores famosos, por necessidade de trabalhos escolares.

    Seria interessante se houvesse um preâmbulo sobre a biografia dos poetas juntamente com os seus poemas publicados, creio que supriria essa demanda por informações e tornaria o site, além de prazeroso em leituras, também didático.
    abçs !


  4. Elizabeth disse:

    Este poeta investe na perversão do próprio corpo, sugere o erotismo, sente-se fascinado pela imoralidade do olhar e o resultado é uma poesia não obscena, mas de liberdade de sedução.

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