Blog dos Poetas

Ideal

de

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vênus de cintura estreita…

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortas entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita…

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que se dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino…

E como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo…

postado por em 29-03-2009
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16 Comentários para “Ideal”


  1. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Poema a Dummond

    Minas ainda existe
    Não há e, como sabes, nunca teve, o mar
    Embora ainda haja cavalos brancos, que possas fugir a galope
    Como fugiste para estar eternamente, onde estás…
    Em Minas há milhares de José e Maria
    Na mineirice de todas as iguarias
    E no sentimento de mundo, de Raimundo
    Dançando a eterna valsa vienense
    Extraídas de tuas doces poesias

    (Francisco R. Júnior)


  2. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Poema a Manuel Bandeira

    Chegaste numa estrela da manhã
    Com o sol radiante de Recife
    São Paulo e Rio foram os seus palcos
    De febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos…
    Também de cantos, luares e poesias
    Tua vida foi como um trem de ferro,
    Forte, barroca e destemida…
    Esperaste com paciência a consoada
    Que desceu no silêncio da noite,
    Com a sua cantiga de ninar
    Para levar-te à Parságada
    Onde o rei, teu amigo, o esperava
    Lá, dormes, agora,
    Ao lado da musa sonhada
    Na cama que tu escolheste
    Como em poemas sonhados

    (Francisco R. Júnior)


  3. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Poema a Mário de Andrade

    Turista aprendiz
    Homem da garoa desvairada
    Criaste um herói, brasileiro, sem caráter
    Mistura-o com o índio, negro e branco
    Fazendo o surgir também cafuso-e-mulato…
    Correste do Amazonas ao Peru,
    Estudando o folclore brasileiro
    A música, ímpeto de tua nobre alma
    Foste além de pianista, romancista e poeta
    Tuas aventuras ficaram registradas
    Nas páginas da literatura…


  4. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Um poema à pessoa de Pessoa

    Tinha na alma o vigor futurista
    Era surrealista, quando via o passado
    E dadaísta, quando esquecia de si mesmo
    Era o pessoa, que pregava às pessoas
    Seus fingidos e sinceros sentimentos
    A ponto de ausentar-se e a se confundir com o elo
    Sagrado ou talvez profano…
    Perdido no tempo: ora de glórias ou incertezas,
    Como um pastor ou simples guardador de rebanhos
    Bem sabia que não veria o quinto império
    Por mais que desejasse a alma infante
    Suas mensagens, enigmas ardentes
    Da pessoa, nas pessoas, na pessoa…
    Que vê o mundo de forma diferente
    Alucinado da dor que deveras sente


  5. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Infância
    Carlos Drummond de Andrade

    Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
    Minha mãe ficava sentada cosendo.
    Meu irmão pequeno dormia.
    Eu sozinho menino entre mangueiras
    lia a história de Robinson Crusoé,
    comprida história que não acaba mais.
    No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
    a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
    chamava para o café.
    Café preto que nem a preta velha
    café gostoso
    café bom.
    Minha mãe ficava sentada cosendo
    olhando para mim:
    – Psiu… Não acorde o menino.
    Para o berço onde pousou um mosquito.
    E dava um suspiro… que fundo!
    Lá longe meu pai campeava
    no mato sem fim da fazenda.
    E eu não sabia que minha história
    era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


  6. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …ler o antigo poeta português, atualíssimo em seus versos…quando amamos, enxergamos coisas que outros olhos não enxergam, apenas a quem ama, no dizer do vulgo: “quem ama o feio, bonito lhe parece”… e como discorre com maestria o seu canto enamorado que a musa enaltece… belíssimo e imortal !


  7. CRIS disse:

    MUITO BOM ESTE SITE!!!!

    Prof


  8. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Velho Chico

    A cidade em mim, uma visão,
    Embaçada no meu espírito
    Não sei se noite, manhã ou tarde
    Vejo inúmeras pessoas rumando ao cais
    Em busca de peixes
    Pergunto ao meu pensamento:
    _ Peixes, ali ainda há peixes?
    Algo me disse que não…
    Atesto barcos, jangadas e canoas
    Atracados a beira do cais
    Vazios de sentimentos e de peixes
    De redes, iscas, anzóis e velhos pescadores.
    Lanço as minhas vistas ao rio,
    Vejo pairado em suas débeis águas
    Posêidon, sereno e calmo
    Velando com certa ironia
    O agonizante São Francisco


  9. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Glória a Van Gogh

    Quando a humanidade fala em dor
    Logo pensa em Jesus Cristo.
    Eu não penso em Cristo
    Eu penso em Van Gogh.
    Que no auge de sua loucura
    Disfarçou-se em demônio
    Bebeu do ópio abstrato
    Para presentear a uma amante
    Como hóstia profana,
    Um pedacinho do corpo.
    Tornando consagrado
    O pedaço que lhe falta
    Em seu auto-retrato
    No museu do Louvre…


  10. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Indagação

    Quem é Deus?
    Quem é o Diabo?
    Os dois são eternos
    Os dois são supremos
    Cada um comanda o seu lado
    O lado direito é Deus
    O lado esquerdo é o Diabo
    Um justifica o bem
    Outro justifica o mal
    Emoção e razão
    Tecem a eternidade,
    Para a passagem do homem
    Corajoso ou covarde.


  11. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Assim, assim…

    Deposito o meu carro próximo a uma praça
    Atravesso uma avenida movimentada
    Estaciono dinheiro no banco
    Entro em lojas, lanço e recebo olhares,
    Do mundo capitalista e selvagem
    Numa banca de jornal e de tudo
    Ando, ora passos ligeiros, ora lentos
    Informando-me sobre tudo que é novo
    Compro chocolates numa farmácia
    E bananas madurinhas numa esquina
    E gosto e experimento de tudo que eu vejo…
    Dou conta de todo o meu trabalho
    E quando bem tardinha, sol se despedindo,
    Saco o meu carro na praça onde o deixei
    E toco a minha vida, nada burocrática.


  12. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Os dias claros da enseada azul das mulheres

    Os dias claros
    da enseada azul
    não foram feitos para os poetas,
    cronistas, romancistas, contistas, novelistas…
    Os dias claros
    da enseada azul
    Não foram feitos para constar em versos e prosas
    neles contém metáforas claras,
    capazes de fazer a todos entenderem,
    que os dias claros
    da enseada azul
    foram feitos para as mulheres,
    as prostitutas, (profissionais do amor),
    habitantes das Américas…


  13. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Todos esses poemas fazem parte do meu projeto:”Poesias concebidas com pecado”, pois para mim a poesia é Maria. Leia:
    Poesia concebida com pecado

    A minha poesia é Maria
    Só que concebida
    Com pecado
    Com blasfêmia
    Com a dor do ódio
    Com a dor da indiferença
    Que o poeta finge
    Sofrer na hora do parto
    Ao forçar palavras
    Ao sexo que rima
    Maria, Maria, Maria
    Concebeu sem pecado
    O melhor da poesia
    A minha, portanto,
    Apesar de ser Maria
    É concebida com graça
    Pecado e magia…


  14. Francisco Rodrigues Júnior disse:

    Esta poesia surgiu a partir do momento em que deparei com um tanto de “Nete” na Internet, quer através de e-mails ou MSN. PIREI.

    [email protected]

    A Internet é Net
    Faz lembrar o hipocorístico -NETE
    Tão carinhoso, peculiar, comum e doce
    Nos nomes das mulheres
    Do sertão nordestino
    E de várias cidades do norte
    Do rincão brasileiro
    AliNETE, CleoNETE,
    ClaudiNETE, DalvaNETE,
    EdiNETE, FranciNETE,
    GilNETE, IvoNETE,
    JusciNETE, LuciNETE,
    LuziNETE, MariNETE
    Todas conhecidas apenas por NETE
    Que por homofonia se confundem
    Com similaridade na Internet.


  15. lilian disse:

    demais de bom


  16. IALMAR PIO SCHNEIDER disse:

    NOSSA CORRIDA
    I II III
    Oh! triste andorinha És linda por fora Oh! leda avezinha
    que estás a cantar Porém em teu peito Que cantas tão lindo
    E sempre a gorjear Que por Deus foi feito Teu hino infindo
    Batendo tua asinha A alvura ali mora Estás tão sozinha
    Atende o chamado Te peço te imploro Pois teu companheiro
    E cantes prá mim Que cantes prá mim Há tempo morreu
    Teu lindo trinado Teu hino teu choro Pois foi o primeiro
    Que nunca tem fim. Que nunca tem fim. Que a vida perdeu.
    IV V VI
    Me escute andorinha Oh! Deus que é grande E àquela andorinha
    O teu companheiro Tem tanto poder Derrame a bondade
    Já foi-se primeiro Atenda o querer Na eterna saudade
    Deixou-te sozinha Eu peço que mande Da pobre avezinha
    Tu cantas tão lindo A luz da esperança Que seja feliz
    Prá ver se ele escuta Ao pobre queixoso Vivendo ilusões
    Teu hino infindo Também a criança Pois Deus assim quis
    E as notas estultas. Que não possui pouso. Partir corações.

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