Blog dos Poetas

Estradas

de

Trago no meu peito ardendo em chamas
pés descalços sobre a lama
que cobriu nossos caminhos
Desconheço qualquer traço de esperança
que o abraço da lembrança
faça renascer sozinho

Esse corpo magro e mal-tratado
Esse cérebro calejado
quer abrir os corações
E acabar de vez com a inquietude
que emudece a juventude
Que divide as gerações

Nós viemos juntos de outras eras
semeando primaveras
que não tardam florescer
Acumulando uma força invisível
num processo irreversível
pra não ser mais preciso ver

A calada da noite mostrando homens cabisbaixos
Caminhando sob o olhar perplexo da madrugada
Perguntando onde vão dar
os atalhos dessa nova era
Essa nova estrada

Essa estrada vai passar
pela Vila da Boa Esperança
Vai cruzar o Município dos Homens de Fé
Vai fazer da Certeza o seu Arraial
Na Cidade dos Jovens Sem Medo
vai fazer o seu ponto final

postado por em 15-04-2010
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1 Comentário para “Estradas”


  1. EDILOY A C FERRARO disse:

    …feliz escolha, trazendo-nos um poeta e compositor de identidade tão popular, são deles os versos que narram os olhos do operário que vê as escolas, pelo mesmo construída, onde seus filhos não poderão se matricular… esse canto trazidos no âmago de seus versos, com maestria e sabedoria anuncia uma era talvez mística, ou de uma nova sociedade, onde os filhos dos trabalhadores não sejam proibidos de frequentar pela sua diferença social, trazendo nas estradas as esperanças que levantam a humanidade, fênix combalida e guerreira…belíssimo poema Zé Geraldo !!!

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