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Éden Hades

de

Jardins de água fartavam-nos
de sol inchado em veias
pendendo como manga
e eu era como dono de navio
altivo e digno. Que nem vogal
aberta, abri portas para a areia
em repentina perda da memória.
Que o ar seja bebido tal um navio.
Tudo o que é brisa aflora nos terraços
e vibra nos sagarços sobre as vagas.
Apanhada na armadilha
Faz-se a treva manhã.
Estas as figurações do sonho:
uma placa de prata e um nome inscrito,
hoje apagado, gravado há muito,
muito tempo. E só. Os deuses nos convocam,
nos querem a todo porque nada querem,
riem de nós, perdem-nos ao nos buscar
e às nossas perguntas
fazem ouvidos moucos,
não respondem senão ao eco
oco. Tudo perde o sentido
mal é pronunciado.

Fonte: Palavrarte

postado por em 30-08-2008
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1 Comentário para “Éden Hades”


  1. Ariane disse:

    Senti uma dor no peito ao ler o poema e resolvi comentar.
    Um aperto como se todas as palavras estivessem me penetrando.

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