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Conclusões de Aninha

de

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
“A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.”
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.

postado por em 30-08-2009
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3 Comentários para “Conclusões de Aninha”


  1. Ediloy Antonio Carlos Ferraro disse:

    …lições de vida vivida nos sertões goianos. Trazidas na sabedoria das observações e narradas em líricas narrativas, ensinamentos no texto aparente sem enlevos, numa história trivial, avulsa, contudo, impregnada de vivências… sábia guerreira dos sertões goianos, teus escritos, atualíssimos, te transcendem no tempo…


  2. ubolano disse:

    Muito bom ! Parabens !


  3. Rha disse:

    Ameiiiiiiiiiiiii muiiiito bom!!!!!

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